12 de julho de 2009

A arte de bem queimar uma candidata

Até agora a candidatura de Elisa Ferreira à Câmara Municipal do Porto tem sido um perfeito exemplo de como se queima uma boa candidatura, o que inclui o facto de a própria candidata atiça o fogo que a está consumir.
A candidatura de Elisa é um erro crasso do PS. pois sendo um competentíssimo quadro do PS, a sua candidatura deveria ter sido lançada quando o PSD não tivesse um candidato à altura. A sua derrota este ano implicará que nunca mais será candidata ao Porto, situação que prejudica de sobremaneira a cidade do Porto.
Para bem do Porto, Elisa Ferreira devia ter recusado o convite para encabeçar uma candidatura que ela própria considerava derrotada à partida. O facto de ter feito parte (e eleita) nas listas ao Parlamento Europeu é uma prova da pouca crença que tem na sua própria candidatura autárquica.
Bem pode alegar Elisa, que é perfeitamente legal ser Deputada Europeia e candidata à autarquia, mas isso é um mero reflexo da podridão que contamina a classe política actualmente, tão bem expressa por Mário Lino ao afirmar que "Ético é o que está na lei".
Mas os Portugueses podem ser muita coisa, mas burros não são!
Sabem perfeitamente que uma coisa é a Ética e outra coisa é a lei e Elisa, com o seu comportamento, mete mais uns tijolos na parede que gradualmente a classe política está a erguer e que a separa do resto dos cidadãos de Portugal.
Ao insistir no erro, com frases pouco felizes de "Vou ali (ao PE) e já venho", Elisa mostra um incompreensível autismo a aquilo que os seus eleitores desejam. E desde o ínicio que qualquer pessoa provida de senso comum viu que a dupla candidatura de Elisa Ferreira era sentida no Porto como um insulto, ao subalternizar a importância que os eleitores do Porto atribuem, e bem, à sua Câmara Municipal.
Rui Rio tem assim aberta uma enorme alameda em direcção à sua reeleição e não me parece que Rio, que difunde uma imagem de dedicação à cidade, possa fazer erros que compromentam a sua reeleição, mesmo que os faça, não me parece que a candidatura de Elisa Ferreira disponha de força para inverter os dados da situação.
Actualização (13/07/2009): O PS Porto está transformado num saco de gatos, dando o dito por não dito e em confronto directo com José Sócrates.
Quem é este Orlando Gaspar? É o mesmo que dirige o PS Porto desde tempos imemoriais?

4 comentários:

contradicoes disse...

Antes demais os meus agradecimentos pelos votos deixados. Vamos lá ver como é que o exame vai correr. Relativamente à abordagem concordo inteiramente com a sua visão. Aliás o PS já o demonstrou é exímio neste tipo de disparates. Mas o que sem dúvida é mais lamentável ainda é que arrasta para competições como é o caso do Porto em que a derrota é previsível antes mesmo do confronto, figuras com alguma importância no partido que poderiam ser melhor aproveitadas e que acabam por as queimar. É certo que ela já tem o seu lugar assegurado no parlamento europeu, mas isso também o teria qualquer outra figura do partido com menos valia. Um abraço
Raul

João Amorim disse...

Este Orlando é filho do outro Orlando, eterno vice de Gomes. Excelente prosa. Pena a contaminação geral da nossa classe (sem classe alguma) política.

João Pedro disse...

Muito bom post. O PS Porto, dirigido pela dinastia Orlando Gaspar, pelo inócuo Renato Sampaio e com gente do clibre de Margarida moreira (a controleira da DREN) afunda-se ainda mais na sua mediocridade.

Só tenho a impressão que a frase da Ética ser o que está na Lei é de Pina moura, não de Mário Lino.

Luís Bonifácio disse...

Acho que é de Pimba Moura. O Lino é que a repete insistentemente e talvez recorra a ela para justificar os milhões que sacou do nosso bolso para dar ao Jorge (Mota) Coelho.