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12 de abril de 2007

Dúvidas Socráticas

Ontem, a polémica sobre as habilitações do nosso Primeiro-ministro parece ter ficado suspensa. Durante quanto tempo? Não sei. Poderá ser por meses, ou poderá ser apenas por alguns dias.

Digo suspensa porque parece existir alguma coisa numa "manga" qualquer.
Em relação à entrevista de ontem, se dúvidas tinha, com dúvidas fiquei!

  • Perdeu-se uma Pós-Graduação em Engenharia Sanitária;
  • Sócrates escolheu um curso com "prestígio", quando este ainda não tinha produzido nenhum "licenciado";
  • Sócrates foi admitido numa licenciatura sem ter entregue os certificados de habilitações dos cursos que lhe davam direito a frequentar essa licenciatura;
  • Conheceu o Prof. Morais apenas quando este lhe leccionou as cadeiras na UnI, esquecendo-se que o mesmo tinha sido seu prof. no ISEL;
  • Porque é que apenas entregou os certificados, os dois com a mesma data (08/07/1996), exactamente dois mês antes de ter realizado o último exame (a um Domingo)?
  • Porque é que não mostrou o diploma?
  • Porque é que justificou o fax com timbre do Ministério do Ambiente alegando a incompatibilidade de funções para ser professor da UnI, quando o Decreto-Lei estipulava exactamente o contrário?
Sinto-me como o Sócrates (O filósofo): Só sei que nada sei

14 de março de 2007

O Google da Segurança

Não coloco em causa as boas intenções de António Costa com o SISI e o Cartão Único (C.U.). Mas um velho ditado diz-nos onde podemos encontrar este tipo de intenções.

Diz o nosso ministro da administração interna que o C.U. “É de facto um cartão 5 em 1, mas a sua criação não implicou a concentração de informação. […]Trata-se de um cartão “light”, não contentor de informação, um mero “porta chaves” que permite o acesso - em separado - às bases de dados de cada um dos serviços, que, também aqui, conservam plena autonomia e estanquicidade
Mas António Costa não nos diz como é que tecnicamente se impede de usar essas “chaves” constantes do cartão.
As empresas que gerem cartões de crédito gastam fortunas em sistemas de vigilância e segurança dos seus cartões. Mesmo assim ocorrem falhas.
Os cartões Multibanco foram facilmente “clonados” à frente dos seus titulares que não se deram conta do facto (eu inclusive).

Que sistemas tem o Sr. António Costa na manga para impedir, com 100% de garantia, possíveis violações do C.U.?
Que sistema tem o Sr. António Costa na manga para impedir, com 100% de garantia, a quem controle o “Porta-Chaves” a tentação de “as fazer girar”?

A questão não está em saber o que é que norteou este governo a avançar com estas duas medidas securitárias e de controlo, mas sim em prevenir as futuras hipóteses de abuso que esta concentração de informação sensível, num pequeno grupo de pessoas possibilita.
Quem detém a informação detém o poder e como nós todos sabemos o Poder corrompe. Talvez António Costa nem pense nisso, mas algures, deve haver quem já esteja a pensar. E um dia alguém deixará de pensar para passar a praticar.
Em vez de nos tentar convencer com falinhas mansas, António Costa deverá explicar que meios pensa usar para impossibilitar todo e qualquer hipotético abuso.
Parece que a blogoesfera e alguma comunicação social está a despertar do seu torpor e a colocar as questões que importa serem colocadas!

8 de março de 2007

O País está Perigoso

De vários lados chegam sinais de que José Sócrates pretende ser o homem com mais poder que alguma vez existiu na História de Portugal.
Santos Cabral expressou há dias ao Diário de Noticias as suas preocupações com a reorganização do sistema de segurança interna, sobretudo no que respeita há acumulação de poder nas mãos de um só homem, que reporta unicamente ao Primeiro-Ministro, tendo acesso a dados de investigações do Ministério Público, órgão constitucionalmente independente do Governo.
“[…]
há que acautelar o acesso do SGSI aos processos relacionados com a criminalidade económica, sobretudo casos de corrupção que possam tocar no poder político”. Com o novo modelo, toda a informação da PSP, GNR, PJ e SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) passa a ser canalizada para uma só pessoa que reporta ao primeiro-ministro, José Sócrates.[…]


Isto passa-se numa área da governação – a segurança interna.

E nas outras áreas?


Ninguém fala do Cartão do Cidadão, popularmente conhecido pelo Cartão Único (C.U.), inocentemente apresentado como um substituto moderno do Bilhete de Identidade, mas que no futuro concentrará TODA A INFORMAÇÃO do seu titular (Identificação, morada, registo criminal, registo de saúde, cartão de eleitor), toda esta informação concentrada num único cartão magnético gerido por um sistema central, ao alcance de um clique do rato do “gestor do sistema”, que saberá onde moramos, o que fizemos no passado, que doenças sofremos e … em quem votamos (se o voto se tornar electrónico).

Onde estão as garantias?

Onde está a protecção dos dados pessoais?

Como é que se impedirá a tentação de quem dominar o sistema, se tornar no “Grande Irmão” da Nação, usando como ecrã de televisão o formato normalizado do cartão magnético?

Alguém sabe? Duvido!.

Cartão Único no mundo apenas existe no Japão, sociedade historicamente autoritária e fortemente hierarquizada. Nos Estados Unidos, terra onde nunca existiu Bilhete de Identidade, a ideia de criar um Cartão Único esbarrou na pessoa de seu presidente, horrorizado com tamanha ameaça aos direitos liberdades e garantias expressos na Constituição de 1776.

Mas em Portugal ninguém está preocupado, sobretudo os senhores deputados da nação, todos contentes com a ideia de ajudarem ao Choque tecnológico, sem terem dúvidas nem questões. No fundo, tal como Francisco José Viegas bem disse, não passam de carneirinhos domesticados e alegres, contentes por serem «modernos».

A própria Blogoesfera, sempre tão atenta, encontra-se num silêncio sepulcral, com poucas e honrosas excepções.

Será já o "Medo" de brevemente ter que dar o seu C.U. à primeira autoridade que o solicitar, a fazer os seus efeitos?
A ler também:

5 de março de 2007

Direita adormecida

O Jorge Ferreira que me perdoe, mas um debate entre a maior aproximação a Alberto João Jardim que o continente produziu - Manuel Serrão e o único Português que debita um discurso constituído a 100% por lugares-comuns e sem qualquer ideia própria- Pedro Abrunhosa, não é a melhor maneira de tentar reanimar a Direita Portuguesa.

3 de março de 2007

Combatendo o desemprego

Anúnicio publicado no jornal P em 02/03/2007

Conheço um "Actor" com o perfil adequado à personagem procurada pelo Teatro D. Maria, pois tem:
  • Mais de 40 anos;
  • Uma personalidade tipo ditatorial;
  • Cabelos Brancos;
  • É Beirão;
Tem apenas um senão
Possui um bom contrato até 2009, numa peça de "arte dramática" com 10 000 000 de figurantes e com possibilidade de renovação por mais 4 anos!