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18 de novembro de 2008

Entretanto em Jerusalém....

É um conflito que dura há mais tempo que o Israelo-palestiniano.
É um conflito que irá continuar quando os Israelitas e Palestinianos se derem como velhos amigos.
Neste caso foi apenas uma "rixa" entre Ortodoxos Gregos e Cristãos Arménios. Católicos, Ortodoxos Russos, Coptas Egipcios, Sírios e Etíopes ficaram a observar.

Ouviram o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Mas eu vos digo mais. Não resistam a quem vos fizer mal. Se alguém te bater na face direita, apresenta-lhe também a outra
(Mateus 5; 38e 39)

6 de março de 2008

Os lugares Santos Cristãos

Muito se discute sobre a localização dos locais santos cristãos de Jerusalém. Discussão alimentada pelos meios anti-cristãos a que as igrejas protestantes dão uma ajuda. Questão essa que abaixo explicarei.
Toda esta questão está bem plasmada nos guias turísticos (Lonely Planet, Eyewitness, etc), reflexo do "fascismo" politicamente correcto em que vivemos.
Neles, todos os locais santos Cristãos são designados por termos como:
  • O alegado...;
  • O suposto...;
  • Diz a tradição ...;
No entanto, para os editores não perderem a sua cabeça. Os guias turísticos afirmam inequivocamente que ...
Maomé veio a cavalo de Meca a Jerusalém, subiu aos céus para falar com Deus, desceu e voltou a cavalo para Meca, onde chegou na manhã seguinte.
O Lonely Planet afirma sem margem para dúvidas que isto sucedeu num única noite. Aliás tal como o Corão o faz.
Dúvidas também as têm os Protestantes. Mas por diferentes razões.

Monte das Oliveiras
Sendo os cultos protestantes os últimos cristãos a chegar a Jerusalém, encontraram todos os os locais santos já ocupados e divididos entre os outros cultos cristãos pelo "Status Quo" então como hoje em vigor.
Os luteranos alemães construiram uma Igreja mesmo ao lado do Santo Sepulcro. Igreja sempre fechada e que só dá sinal de vida ao meio-dia quando os seus sinos repicam sobre os telhados de Jerusalém.
Mas não possuir lugares santos para explorar em Jerusalém é um enorme óbice. Óbice esse contornado habilidosamente, por um militar Inglês que resolveu "inventar" um novo local para o sepulcros de Cristo, fora das actuais muralhas, fazendo de conta que estas eram as existentes em 33 DC, ignorando o facto de terem sido apenas construídas no Século II. Aliás este militar, que de história nada percebia, tampouco era entendido nas artes do Deus Marte, pois passados poucos anos seria massacrado em Cartum às mãos do Mahdi Sudanês. Hoje em dia Gordon de Cartum continua sendo o símbolo da incompetência no exército Britânico.
Enquanto os Anglicanos inventaram Túmulos para Jesus Cristo, os Luteranos tiveram que se dedicar à virgem, construído em pleno Monte Sião, colado ao Túmulo de David, um Pesado Pastiche neo-gótico higienizado ao gosto da nossa ASAE, onde afirmam que a Virgem se encontra a dormir.
Absolutamente diferente é o Túmulo não protestante da Virgem, uma pequena capela românica que esconde o acesso a uma gruta profunda, de cujo o tecto negro pendem centenas de luzernas a óleo

Túmulo da Virgem Maria
Entre a Higiene Asaica do Túmulo tedesco e o negro de fumo Arménio, claro que prefiro o ar mais autentico do último.
Toda esta discussão é estéril e fútil, pois em religião não importa muito se aquele foi o local efectivo ou se o mesmo se situa a 100 metros dali. A santidade de um local é construída pelos fieis que o frequentam, não pela correcção ou não do lugar, que no caso de Jerusalém podem distar apenas umas meras dezenas de metros.

5 de dezembro de 2007

A Igreja do escadote esquecido

O Santo sepulcro, o lugar mais sagrado da Cristandade, não tem a espectacularidade e beleza da cúpula da rocha. Por fora parece uma normal catedral românica num estado de conservação bastante sofrível.

A praça que ocupa o adro é pequena. A primeira coisa que sobressai é o portal de entrada, do lado esquerdo a torre sineira encontra-se coberta de andaimes, por cima da porta, num parapeito junto a uma janela, reparo num escadote, um pouco afastado da zona de restauro.
Longe de mim imaginar que aquele simples escadote, cuja função primária é proporcionar uma “comunicação”, ou num sentido figurado uma “união”, simboliza na realidade a fragmentação, desunião e total ausência de comunicação entre as diferentes variantes do cristianismo que usam o Santo Sepulcro.
Esta Igreja, local mais santo do cristianismo tem sido ao longo dos séculos tem sido um campo de batalha onde Católicos, Ortodoxos Gregos, Russos, Etíopes, Coptas, Arménios e Sírios, lutam por alguns metros quadrados de espaço santificado.
A posse total do Santo Sepulcro, oscilou sempre entre os Ortodoxos Gregos e os Católicos (Franciscanos), posse essa que variava consoante a influência das diferentes igrejas junto do Sultão da Turquia. Ao longo dos séculos sucederam vários confrontos entre as principais confissões, Em 1808 um incêndio destruiu o próprio Sepulcro de Cristo, apesar de não ter afectado o seu interior.
Cansado de tantas lutas e de pagar as reparações, a Sublime Porta de Constantinopla, impôs em 1852 o “Status Quo”, uma espécie de condomínio no qual a propriedade da Catedral ficou atribuída à Igreja Ortodoxa Grega, mas com zonas cedidas às outras confissões e horários de utilização dos respectivos locais santos. O "Status Quo" definiu por fim zonas de utilização comum. O acordo funcionou e ainda hoje é aplicado e respeitado, se bem que de quando em vez ocorram escaramuças. A última ocorreu em 2004 e obrigou à intervenção das autoridades Israelitas, para acabar com cenas de pugilato entre Gregos e Franciscanos.

O Santo Sepulcro numa gravura de 1880

Não se sabe ao certo quando é que o escadote foi colocado no parapeito. Há quem diga que lá estava em 1852, quando o “Status Quo” entrou em vigor, há quem diga que foi colocado posteriormente a essa data. O certo é que gravuras do século XIX (1880) já o incluem. Como o “Status Quo” considerou o parapeito como uma zona de utilização comum, para ser retirado passou a ser necessário a anuência de todas as confissões. No passado dia 9 de Novembro o escadote lá continuava. E lá continuará, até que o caruncho, que não tem religião, se encarregue de o desfazer.

Outra zona de utilização comum é o próprio sepulcro. Este apresenta sinais de grave deterioração desde há várias décadas. Em 1947 e perante as indecisões dos seus utilizadores, as autoridades britânicas mandaram-no cintar com vigas metálicas para evitar o seu colapso. As vigas lá continuam até que as várias igrejas cristãs se entendem quanto à sua recuperação.
No entanto o restauro do Santo Sepulcro pode estar para breve (digamos que meio século). Desde 1960 que se iniciaram os estudos com vista ao restauro integral da Igreja. Pelo menos a torre sineira já está em obras, o que é uma boa noticia para todos os cristãos