7 de julho de 2011
6 de julho de 2011
Tudo o que é em demasia….
A proposta de uma organização radical feminista de nome UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) de criminalizar o piropo, arrisca-se a cobrir de ridículo a organização e fazer com que outro tipo de lutas (Como encarcerar durante umas boas décadas os broncos que matam a mulher por terem acordado mal-dispostos) também seja encarado com uma leviandade prejudicial às mesmas.
Uma Pérola feminista destas só pode vir de um agrupamento de mulheres tão feias e mal jeitosas, que nunca na sua vida, ouviram piropo, nem sequer um “rasca”!
Surpreende-me que esta organização tenha dado o Aval a uma “Slut Walk”, quando há 35 anos atrás queria proibir as “Vamps – Nome então dado pela esquerda a uma mulher bem vestida e charmosa”, que considerava um estereótipo a abater tal como a figura da “dona-de-casa”.
Concordo inteiramente com Manuel António Pina - Pretender considerar um piropo, tipo, “se tu fosses uma chávena eu mataria para poder ser o teu pires!”, ou até o inócuo “essa saia fica-te a matar”, como um insulto e uma ofensa, é tão estúpido como a decisão de um juiz em atenuar a pena de um violador porque a vítima estava de mini-saia na coutada do Macho Latino!
E se atendermos a este poema de Vinícius:
Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
Caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado
É mais que um poema
É a coisa mais linda
Que eu já vi passar
Ah! porque estou tão sozinho
Ah! porque tudo é tão triste
Ah! a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah! Se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho
Se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor
Será que a UMAR pretende prender João Gilberto se este ousar cantar aquele piropo conhecido por “Garota de Ipanema”. Será que os livros de Vinícius de Moraes acabarão proibidos e queimados numa pira pela UMAR?
5 de julho de 2011
Adeus à "Espanhola"
A CP anunciou o fim da ligação Porto-Vigo a partir do próximo Domingo.
É uma decisão que se adivinhava, pois quando um comboio leva 3h19 minutos a fazer cerca de 160 km (Pelos carris), enquanto uma camioneta de carreira demora 1h30 a fazer o percurso de 145 km por estrada, não é difícil prever qual é o meio de transporte que vai acabar!
Se a isto juntarmos o amor que as forças vivas da região têm pela linha do Minho, que incluso levou ao malcriado, que governou Viana do Castelo até há dois anos atrás, a propor a sua substituição por um "Metro de Superfície" nada nesta noticia é para admirar.
O resto da Linha do Minho também vai pelo mesmo caminho pois por a circular em pleno século XXI comboios com a velocidade média de 50 km/h (os interregionais) ou 40 km/h (os regionais) quer apenas dizer que é uma linha para fechar.
4 de julho de 2011
Passos escreve direito por linhas tortas
2 de maio de 2011
OSAMA, the dead terrorist
História mal contada
14 de abril de 2011
13 de abril de 2011
A verdadeira bandeira da 3ª república

Férrinho de volta à piolheira

12 de abril de 2011
Mistério de Lisboa

Um Socialista com Tomates
11 de abril de 2011
A primeira Boa surpresa
23 de março de 2011
Liz Taylor (1932-2011)

Adeus Pilantra
9 de março de 2011
Sobre o Discurso de Cavaco
Os “OUTROS” que nos lixam e o “OUTRO que nos irá salvar
Quando sucede alguma desgraça no nosso país a culpa é sempre de “OUTROS” que estejam mais à mão.
E que são estes “OUTROS”?
Na grande maioria das vezes, quem acusa não faz a mínima ideia de quem são esses “OUTROS”.
Os “OUTROS” têm variado ao longo do tempo, é uma espécie de moda. No passado distante eram os Judeus, mais recentemente, na 1ª República eram os Thalassas (Monárquicos). No período seguinte passaram a ser os Comunistas aos quais se juntou, a partir de meados dos anos 60, o resto do mundo e assim foi até 1975, orgulhosamente sós! Não havia desgraça que fosse culpa nossa. Éramos como um condutor em contra-mão numa auto-estrada que telefona para as autoridades a alertar para as dezenas de veículos que circulam ao contrário.
A partir de 1974 o espectro alargou-se. A culpa pelo que corria mal era atribuída aos Fascistas e seus sinónimos (Sociais-Fascistas, Capitalistas, Monopolistas, Revisionistas, Reaccionários, etc). Os outros pertenciam sempre a um grupo indefinido que ninguém admitia pertencer. O supra-sumo da indefinição dos outros chegou com Cavaco Silva e as suas terríveis “Forças de Bloqueio”.
E como pode uma pessoa escolher um grupo de “OUTROS” quando sente a corda a apertar na garganta?
Em primeiro lugar tem de escolher um grupo ou termo que possa ser percepcionado pelo povo como responsável sem grandes perguntas e de preferência que seja tão indefinido que mesmo que alguém dele faça parte não o saiba, ou que não tenha qualquer porta-voz. Exemplos: Os “Especuladores”, ou os “Mercados” .
Apenas devemos nomear um grupo bem definido de pessoas, caso este não reaja, ou não seja imediatamente perceptível pelo cidadão comum. Exemplo: a “Maçonaria”, o “Patronato” ou, para quem não está na política, os “Políticos”. A Maçonaria é sempre útil, pois devido ao seu secretismo não responde, ou se o faz, na pessoa do Grão-Mestre, este ao desmentir geralmente convence o povo que efectivamente é o culpado. O mesmo se passa com o “Patronato” e ainda mais com os “políticos”.
Os mais radicais podem escolher os “Judeus”, mas como hoje em dia são muito poucos em Portugal e ninguém os distingue na rua, só servem para justificar as desgraças dos Árabes. Os mais rascas podem ainda escolher os tradicionais “Pretos” e os recém-chegados “Chineses”. Mas estes apenas servem para as caixas de comentários do Correio da Manhã.
Os “OUTROS” também podem ser pessoas individuais, mas neste caso importa seguir duas regras. Convém estarem mortas ou então serem tão atacadas que não vão reparar naquilo que dissermos. No primeiro caso temos o “Salazar”, que como sabemos continua a ser responsável por quase todas as desgraças de Portugal, mesmo aquelas que sucedem 40 anos após a sua morte. No segundo caso temos o “Bush”, que continua a ser culpado de tudo e mais alguma coisa, desde a guerra do Iraque até à constipação que apanhámos recentemente.
Resumindo, quando queremos um “bode expiatório”, ou seja sempre, é melhor escolhermos uma entidade desconhecida, indiferenciada para ser os “OUTROS”. Algo meio envolto em nevoeiro tal como sucedâneo desta cultura, personificada em D. Sebastião a entrar na barra do Tejo numa manhã de nevoeiro . É o “OUTRO” que nos virá salvar.
Ao contrário dos “Outros”, a este outro não têm faltado candidatos que geralmente perdem rapidamente as graças da nação. João Franco, Afonso Costa, Cavaco, Sócrates tentaram-no ser mas com nulos resultados. Salazar conseguiu iludir durante 10-15 anos (graças ao trabalho desenvolvido por o “outro” Afonso Costa, diga-se), mas de nada nos valeu. Nos últimos 25 anos, a figura do “Outro” foi ocupada pela “Europa”, uma figura que a classe política nunca quis explicar aos Portugueses, e que subliminarmente foi percepcionada como “O-sítio-de-onde-vem-o-dinheiro-e-por-iss
A crise económica e a Senhora Merkel encarregar-se-ão de passar a “Europa” do “Outro que nos vinha salvar” para os “Outros que nos estão a lixar”, coisa que em si mesma não é nenhuma surpresa. Aconteceu a todos que quiseram ser o “Outro”.
Mas a verdadeira crise que vivemos não é a dívida pública, nem a privada, nem a taxa de juro, muito menos a taxa de desemprego. Os Portugueses sentem-se em crise e estão deprimidos e sem ponta de ânimo, pois por mais que dêem voltas à cabeça não conseguem, pela primeira vez na História, vislumbrar um novo “Outro que nos venha salvar”.
Texto escrito para responder ao amável convite do Delito de opinião.



