18 de janeiro de 2008

Cigarros perfeitamente legais

A lei n.º 37/2007 de 14 de Agosto abrange única e exclusivamente o TABACO, entendido como parte das folhas e nervuras das plantas Nicotiana tabacum L. e Nicotiana rustica L..

Não existe nenhuma disposição legal no território nacional que estabeleça limitações

ao consumo de cigarros provenientes de partes da planta Zea mays ssp. mays, em recintos fechados destinados a utilização colectiva de forma a garantir a protecção da exposição involuntária ao fumo da combustão de produtos provenientes da planta Zea mays ssp. mays.

Por isso se estiverem num café, poderão perfeitamente acender um CIGARRO DE BARBA DE MILHO e fumá-lo calma e legalmente. E se lá estiverem os homens da ASAE maior gozo terá esse cigarro.

[...] Seis raparigas, dois rapazes. Risos nervosos. Descansam uns minutos, ajeitam-se procurando estar confortáveis. E tiram dos bolsos o seu segredo, afinal o responsável por aquela aventura sem maldade. O papel para cigarros surripiado ao avô, ao pai, ao tio, e a barba de milho já seca. Das primeiras maçarocas da época. Distribuem por todos barba e papel e enrolam o melhor que sabem, como viam fazer os homens da família. Um fósforo passa por todos. Estão acesos os cigarros improvisados. Deitam-se por entre os pés de milho saboreando o feito juvenil, fingindo que lhes sabe bem inspirar o fumo, deitá-lo para fora, ver qual deles é capaz do mais bonito efeito. Uma argola de fumo, uma espiral?[...]

La Ignoranza

A mais antiga Universidade de Itália, conhecida até à poucos dias por "La Sapienza" tinha prevista que a inauguração oficial do ano académico, dedicada à luta contra a pena de morte tivesse como orador convidado, Sua Santidade o Papa Bento XVI.
Um grupo de "professores" e mais uns quantos "cábulas" iniciou imediatamente um levantamento contra a presença de Sua Santidade, afirmando, mostrando o quanto ignorantes são, que a "Universidade é Laica" e por recusavam a presença de Sua Santidade.
Naturalmente que aqui neste Jardim houve logo uns quantos "profes" que imediatamente se puseram a aplaudir com tamanha demonstração de "laicidade ateia".

A ignóbil e desprezível atitude desse "alegados" professores italianos, mais nojo mete se lermos o discurso que Sua Santidade, já disponível online, em Italiano e alemão.
Como todos os textos de Sua Santidade, este é um texto altamente erudito, extraordinariamente bem escrito mas mesmo assim perfeitamente compreensível para um comum mortal, mas talvez já não o seja para os alegados Professores e respectivos "cábulas" da Universidade "La Ignoranza".

Agradeço ao Padre João António a gentileza em me enviar a ligação ao discurso de Sua Santidade

17 de janeiro de 2008

4 Anos

Hoje cumpre-se o 4º aniversário deste blogue.
Nos últimos dois anos esqueci-me por completo desta data. O mais provável é porque este blogue já entrou há muito na minha rotina do dia-a-dia. Talvez por isso mesmo já há muito que deixei de dar os parabéns a outros blogues.

Este blogue irá durar enquanto durar. Teve um início, não tem um meio e terá certamente um fim. Só não faço a mínima ideia de quando.

A todos os que desde Janeiro de 2004 por aqui têm passado, o meu sincero obrigado.

15 de janeiro de 2008

Cartas Portuguesas


Após 8 meses de interregno retorno à publicação das "Cartas Portuguesas", pedindo desde já desculpa por esta minha falta de educação para com os meus leitores, procurarei manter a sua publicação com maior frequência.
Hoje foi publicado um texto que narra a situação vivida em Março/Abril de 1915, no prenúncio daquela que viria a ser a mais sangrenta das revoltas Portuguesas - O 14 de Maio de 1915

É preocupante (III)

Ter um Ministro da Justiça que quer vender as prisões localizadas em zonas de grande densidade populacional, quer esta densidade seja de pessoas ou de Pinheiros à Beira-mar plantados.


Quem comprará esta "Prisão à Beira-Mar" plantada, a pedir um PIN?

Será algum sócio? (do Ministro ou do BCP?)

É preocupante (II)

Um país ter um Director-Geral de Saúde que escreve "romances" sobre a lei anti-tabaco, quer a incitar à perseguição de estabelecimentos que, ao abrigo da lei mantêm a permissão de fumar, quer tiradas de filosofia de algibeira a sancionar comportamentos menos próprios dos "amigos" enquanto que se remete ao mais puro silêncio quando se encerram Maternidades, serviços de urgência e morrem pessoas na sala de espera do banco do hospital.

14 de janeiro de 2008

Isto sim é Preocupante (I)

Enquanto uns se preocupam com "Passas"

O Grande Irmão já chegou!

Para quem vê o vídeo, parece o país das maravilhas, mas quem controla o cartão, e é uma e uma só entidade, controla a nossa vida. E se o voto electrónico vier, o secretismo da votação será inexistente.
Via Blasfémias

Fumo

Anda por aí muito boa alma indignada com a nova lei do tabaco. Tudo serve para apodar a nova lei. Desde medida anti-liberal a limitadora da liberdade individual passando por fascista e Nazista.
Se descontar-mos as "Passas" do Reveillon de António Nunes e as "boutades" dessa figurinha que usurpa o posto de Director-Geral de Saúde, que mais parece desejar ser o da Segurança do tempo da outra senhora, a lei n.º 37/2007 é igual a muitas outras, subjectiva, omissa, incompleta, remetendo para peças legislativas ainda não publicadas.
Agora, meus amigos, qual limitação das liberdades qual carapuça, a lei apenas vem estender as limitações que já vigoravam anteriormente. E acreditem, não custa nada vir cá fora fumar um cigarrito. Aliás, com esta lei novas perspectivas se abrem, como por exemplo meter conversa com aquela misteriosa loura que toma sempre o seu café na mesa do canto e que antes da lei nunca tínhamos tido a oportunidade para entabular conversa.

Podemos aproveitar esta lei para voltar às velhas regras da etiqueta, que proibiam o fumo numa sala de jantar, devendo para isso as casas possuir uma "sala de Fumo" para onde os senhores se retiravam para fumar uns charutos, beber os seus digestivos enquanto discutiam política sentados em boas poltronas.
Salão de Fumo do Dirigível Hindenburg (Picada no Blog Obvious)
Aliás, seria deveram mais interessante, que ao contrário de reservarem zonas da sala para os fumadores. os restaurantes criassem salas de fumo, onde os fumadores pudessem desfrutar do seu fumo e do seu digestivo em bons sofás tal qual um clube inglês.

Nota: Eu sou fumador

Doutor Vital chumba em Geografia

Caro Doutor Vital, eu sei que a geografia não é necessária para quem, como você, é um doutorado em coisas de leis.
Por isso antes de escrever sobre temas geográficos aconselho vivamente a arranjar um "assessor", que pode muito bem ser o seu neto, caso ele tenha pelo menos o Sexto ano completo.
A bandeirinha indica a localização do aeroporto de acordo com a geografia do Doutor Vital. O quadrado é a localização real
O facto de muitos meios de comunicação terem ido a Canha, não foi por o aeroporto ficar ... em Canha.
A simpática povoação de Canha é apenas aquela que fica mais próxima do Aeroporto (12 Km (a vol d' oiseaux). Coisa bem diferente era o seu aeroporto favorito cujas pistas ficariam a 200 m da povoação dos casais novos, 2 Km de Alenquer e do Carregado. Coisa que o senhor acharia serem de pouca monta pois quem ficaria surdo não era você.

Por isso, e por mais que lhe custe, em Lisboa os Km's contam igual, mesmo aqueles que vão para sul.
A distância ao novo aeroporto é cerca de 35 Km ao contrário dos 48 Km da Ota.

13 de janeiro de 2008

A preocupação da Europa

A preocupação da "Europa" com a possibilidade de o tratado constitucional ser referendado em Portugal não residia no facto de um hipotético não em Portugal poder "contagiar" o resto dos 26 países.
A Preocupação europeia residia num único ponto - Perder 30 % da sua zona económica exclusiva.

Com a ratificação do tratado, Portugal perde a sua zona económica exclusiva, a qual será administrada exclusivamente por Bruxelas. Ali se decidirá que não há peixe para a frota Portuguesa pescar, mas, ao mesmo tempo, decidirá que já há peixe para qualquer frota de um outro país pescar. Isto para já não falar noutro tipo de recursos.

Por menos do que isto foi Miguel de Vasconcelos atirado de uma varanda.

La Belluci

Monica Belluci e Intimissi - Mistura explosiva

11 de janeiro de 2008

Poque é que o Aeroporto foi para onde foi

Dialogo imaginário entre José Sócrates (JS) e Mário Lino(ML) ontem de manhã.

JS: Bute aí Lino. Vamos dar a conferência de imprensa para anunciar a Ota como localização do Novo Aeroporto.

ML: (Admirado) Zé! Pela primeira vez vais cumprir uma promessa. Não acredito!
JS: Ena pá! Não me tinha apercebido! Isso não pode ser. Se até agora não cumpri nenhuma e não me parece que venha a cumprir mais alguma. A Ota vai ficar uma mancha indelével na minha governação.
Por isso, o Aeroporto vai ter de ser em Alcochete.
ML: Jamé, Jamé, Jamé.
JS: Pois é Lino, Jamé, Jamé cumprir promessas

10 de janeiro de 2008

Habemus aeroportum

No concurso do Blogue Atlântico propus que o novo aeroporto fosse baptisado com o nome da pessoa que mais contribuiu para a sua construção pondo um ponto final a quase 40 anos de discussões sobre a sua localização.

AEROPORTO INTERNACIONAL ENGENHEIRO MÁRIO LINO (xxxxxx)
(xxxxxx) - Número da cédula profissional - Para que não haja dúvidas sobre a sua licenciatura

Para que as gerações futuras não esqueçam o enorme contributo que ele deu, o Hall de entrada deve ter nas paredes baixos-relevos com as intervenções marcantes do Ministro.

"O que eu acho faraónico é fazer o aeroporto na Margem Sul, onde não há gente, onde não há escolas, onde não há hospitais, onde não há cidades, nem indústria, comércio, hotéis e onde há questões ambientais da maior relevância que é necessário preservar" [Eng.º Mário Lino]

"Até estou convencido que um aeroporto na Margem Sul JAMAIS teria o aval de Bruxelas, dadas as mesmas questões ambientais" [Eng.º Mário Lino - 24/5/2007]

O aeroporto na margem sul era o mesmo que transformar o Norte do Alentejo em Brasília” [Eng.º Mário Lino – 24/5/2007]

"Para construir o aeroporto na margem sul era preciso transportar para lá milhares de pessoas" [Eng.º Mário Lino24/5/2007]

8 de janeiro de 2008

Da Ética Republicana à Ética Só Cretina

Podemos dizer que ao vivermos em sociedade, convivemos com outras pessoas e devemos pensar e responder à pergunta: “Como devo agir perante os outros?”. Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Moral e da Ética. Enfim, a ética é julgamento do carácter moral de uma determinada pessoa ou grupo de pessoas. Podemos dizer que Moral é o que limita o que é Bom ou mau e ética é o que é mais justo ou menos injusto, quando estamos diante de possíveis escolhas que vão afectar terceiros. A Ética varia no tempo no espaço e nas circunstâncias. O que era moral e eticamente correcto há uns séculos atrás pode já não o é hoje em dia. O que é moral e eticamente correcto para um ocidental pode já não o ser para um oriental. O que pode ser um comportamento abjecto numa circunstância normal, pode ser aceitável em circunstâncias especiais. (Exemplo: O canibalismo dos sobreviventes de um desastre aéreo nos Andes que sobreviveram graças ao facto de terem comido os mortos).

Desde há alguns anos atrás certa esquerda, que se diz herdeira do jacobinismo vem de vez em quando falar em “Ética Republicana”. Nunca percebi muito bem que espécie de ética é esta e como é que se diferencia da “Ética tradicional”.

Com Sócrates a “Ética”, republicana ou não, desapareceu do discurso oficial até há alguns meses atrás quando Mário Lino afirmou que “Ética é o que vem na lei”. Devido ao percurso ideológico de Lino, deduzo que para ele a "lei" se resume aos textos publicados pelo Diário da República e não a um conceito mais alargado de “Lei”, como por exemplo o Sermão da Montanha, a Torah, etc. Ou seja para Mário Lino para tornar um comportamento abjecto em comportamento ético basta emitir um despacho ou uma mera declaração de rectificação que altere a letra da lei.

Tudo isto não passaria de mais uma das inúmeras “Boutades” a que Lino nos vem habituando, se neste ínicio de ano não tivéssemos assistido in-loco de como se transforma um comportamento eticamente reprovável (Violação da lei por parte de quem tem a obrigação de a fazer cumprir) num comportamento ético e legal.

O Sr. António Nunes, cavaleiro da ordem da Colher de Pau e da Bola de Berlim, que ao fumar uma cigarrilha num recinto de espectáculos (nem sequer estava numa sala de jogo) violou a lei em vigor, de acordo com a qual, o organismo que dirige é o responsável pelo seu cumprimento.

Em vez de revelar uma postura”ética tradicional” (pedir desculpa e pagar a primeira multa desde a entrada em vigor da lei), António Nunes optou por revelar uma postura “Ética Republicana” ou melhor dizendo “Ética Só Cretina”, em primeiro lugar disse que não tinha a certeza que a lei se aplicava ao Casino. Como ninguém acreditou, António Nunes lembrou-se da frase do Ministro Lino e fala com o Director-Geral de Saúde para que ele (Que por atribuição legal dirige a interpretação da lei) "Eticalize" o seu abjecto comportamento da madrugada do dia 1.

Quero o Blasfémias de Volta!


Parece que algum anónimo denunciou o Blasfémias como um blogue de "spam". Denúncia feita à moda dos tempos que correm.
O Blasfémias está online mas completamente desformatado. Mas vá-lá já conseguíram voltar a colocar os comentários, pelo que já podemos voltar a "picar" o CAA e companhia!

6 de janeiro de 2008

Cega, Surda e Muda

O Expresso numa clara violação do protocolo de Quioto, dedica 14 páginas da Única, não contando com a capa, a uma inútil entrevista com uma tal de Maria Eugénia, viúva do Ditador cirrótico de Angola, Agostinho Neto

Toda a entrevista é risível, a lê-la ficamos a saber ... Nada.
Se pensarmos nas arvores deitadas abaixo para elaborar estas 14 inúteis páginas, fico a questionar a bondade do semanário que num passado recente até explicava quanto carbono era consumido nas suas edições.

Para além da história do seu romance com Neto, ficamos a saber que constituiu uma "Fundação Agostinho Neto, que na sua inauguração contou com muito "povo" (1000 pessoas).

Sobre a morte de Neto e a 13 perguntas do jornalista, a viúva responde com:
Não quero falar disso...
Mas não sei...
Não percebia nada ...
Não posso dizer nada ...
Se foi ou não ....
Sei lá se é verdade.

Sobre a governação do marido:
Não sei. São segredos de Estado ...
A viúva do presidente vai lá saber ...
Não se isso é verdade ....
No entanto toda esta ignorância desaparece com a certeza absoluta que Neto foi assassinado. Numa conspiração urdida pelo PCP e pela União Soviética.

Quando o jornalista aborda o Caso Nito Alves e o golpe de 1977, a entrevista descamba para o surrealismo:
A páginas tantas afirma que Agostinho Neto lhe disse: - "Eles mataram, eles não têm perdão". Passadas algumas perguntas, afirma ser taxativo que Neto, que tinha repetido as palavras perante as câmaras de TV, disse apenas que isso do "sem perdão" era apenas para uns quantos cabecilhas.
Sobre os cabecilhas do golpe, todos bem colocados na hierarquia, afirma não ter conhecido nenhum .... Fantástico!
Sobre a decisão dos fuzilamentos, volta ao gasto - "Isso aí não sei como foi ..."
Sobre o número de mortos - "Não sei. Não estava dentro de nada ...."
Sobre Sita Valles - "Não quero entrar nesses pormenores. Não estava dentro disso ..."

No entanto sobre o recente Livro de Dalila Mateus - "Purga em Angola", aquela que não estava por dentro de nada, afirma com toda a certeza deste mundo: "Isso é mentira. Essa senhora é desonesta, é mentirosa..."

Sobre a nacionalidade, a viúva de Agostinho Neto afirma-se Portuguesa e que nunca quis mudar. Mas no que toca ao passaporte usa sempre o Passaporte Diplomático Angolano.
Claro! Dá muito jeito para passar a Alfândega com aqueles artigos com elevado potencial de apreensão.

Sobre o facto de o Bilhete de Identidade Angolano ter a designação da raça do Portador, a pindérica viúva não sabe se isso é uma ofensa.

Agora só faltava ter a lata de vir exigir a Portugal um donativo para a sua putativa fundação....

Ainda Pacheco

A não perder o que:
Miguel Castelo Branco, João Gonçalves e Lauro António escreveram sobre o último dos "malditos".

Contra a ditahigiénicadura

Apesar de achar que daqui a 3 meses já ninguém vai falar na lei anti-tabaco, não posso admitir que os fumadores (onde me incluo) sejam tratados como cidadãos de segunda. Se num restaurante ou café vir à rua ver se chove (fumar um cigarro) é um pequeno transtorno pouco importante, já num aeroporto é uma tortura, sobretudo se atendermos ao facto de por causa que são alheias aos passageiros, estes arriscam a estar à espera horas e horas.
Já me aconteceu isto no aeroporto de Bruxelas, onde os passageiros em trânsito não conseguem sair do edifício, nem sequer para vir respirar ar puro e fresco quanto mais para fumar um cigarro.
Por isso associo-me à iniciativa de José Flávio Pimentel Teixeira do Maschamba que colocou na Internet uma petição sobre o assunto.

Morreu Pacheco. O Último dos malditos


Luís Pacheco

Ontem morreu Luís Pacheco!

O que é que eu posso dizer de Luís Pacheco?

Muita coisa! Mas o melhor é fazer minhas estas palavras publicadas no Amnésia, com o qual concordo inteiramente

"O Luís Pacheco é provavelmente o maior filho da Puta, a pessoa mais corrosiva, mais intratável que há, mas eu gosto dele. Não sei porque mas gosto dele. O Luís tem a capacidade de dizer o que pensa, de dizer mesmo tudo o que pensa, mesmo o que não poderia dizer [...]"

Mesmo o que não poderia dizer … (Alguns exemplos)

[…]o Namora é abaixo de cão, nem é abaixo de Namora, é abaixo de cão[…]

[…]o Saramago[…] Eu comprei o Evangelho, ele costumava-me mandar, mas eu comprei: li duas páginas e depois fui ver que faltavam ainda 500 ou 400 e não li mais nada[…]

[…]A Natália Correia é uma devassa, vocês ponham isso que ela fica toda zangada […] «Ó sua maluca, você não é uma libertina, você é uma devassa», é uma estragadona que não respeita pai nem mãe, vai meter-se com o irmão de uma mulher minha, com um tio deste, quando eu estava preso no Limoeiro. Ela meteu-se com uma mulher minha. Quer dizer, abusou da situação de eu estar preso para aproveitar uma rapariga que estava lá em casa por caridade […]

[…]José Cardoso Pires[…] Vocês leram o Hóspede de Job? Ele dedica «ao meu irmão António Nuno», como se lhe tivesse um grande amor. Ele dava porrada no irmão! E depois falava dele como se fosse uma vítima da guerra. Não era nada, era maluco[...]

[…] Agora esta Pedrosa (Inês) é uma estúpida[…] Deve ser muito estúpida. Li umas coisas dela horrorosas, completamente idiotas[…]

Excertos da entrevista de Luis Pacheco a Carlos Quevedo e a Rui Zink, publicada na Revista K em 1992

Biografia

Vagabundo militante durante toda a vida, Luiz Pacheco começa por criar a histórica editora Contraponto em 1950. Sob este selo saem, nos anos seguintes, títulos de Herberto Helder, Mário Cesariny, José Gomes Ferreira, Vergílio Ferreira, José Cardoso Pires, Natália Correia e António Maria Lisboa, entre outros. É um editor fundamental no seu tempo, muito ligado ao movimento surrealista, mas ao qual não se prende.

É escritor dos melhores: certeiro, escorreito, vivido e profundo conhecedor do mundo literário. Em 1959 publica a Carta-Sincera a José Gomes Ferreira, escrita em 1953, em A Antologia em 1958, organizada por Cesariny. O Teodolito é feito público em 1962. Depois seguem-se memoráveis textos da literatura portuguesa como Comunidade (1964), Crítica de CircunstânciaO Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor (1970), Exercícios de EstiloLiteratura Comestível (1972) e Pacheco versus Cesariny (1974).

Desentendimentos circunstanciais com Mário Cesariny levam à publicação do Jornal do Gato, em 1974, pela mão do poeta surrealista, que compila um conjunto de cartas de Luiz Pacheco a diversos interlocutores, para no final lhe responder publicamente. Foi Pacheco a abrir os precedentes, com a publicação de Pacheco versus Cesariny. Quando entrevista a Carlos Quevedo" st="on">em entrevista a Carlos Quevedo e a Rui Zink, em 1992, lhe perguntam porquê, responde simples: «Isso sempre foi um hábito meu, dar o nome aos bois.» (1966), (1971),

Escreve e publica panfletos e pequenos contos, dos quais, o primeiro de todos, História Antiga e Conhecida, primariamente publicado em 1946 num volume com vários autores, é recuperado em 2002 sob a designação Os doutores, a salvação e o menino Jesus. De 1981, lembramos O Caso das Criancinhas Desaparecidas. Nos panfletos estão títulos como Crueldade Testicular (1960) ou A PIDE nunca existiu (1976).

Na poesia, campo onde poderia ter sido, a querer, um supra-Pessoa, afirmou o próprio, pode ser lido na Antologia da poesia erótica e satírica (1966), organizada por Natália Correia. Quis ser crítico feroz, denunciando a desonestidade intelectual. Vítima mediática dessa vontade foi Fernando Namora, a quem Luiz Pacheco acusou de plagiar algumas passagens de Aparição em Domingo à Tarde (1961). (1959), de Vergílio Ferreira,

Em 2005, foi recuperado pela D. Quixote, que publicou Diário remendado 1971-1975, e pela Quasi, que edita Cartas ao léu: 24 cartas a João Carlos Raposo Nunes. Já em 2007, a RTP2 transmite o documentário Mais um dia de noite, sobre a vida e a obra de Luiz Pacheco. Em Novembro de 2007, a Perve Galeria monta uma edição especial e limitada de Comunidade com serigrafias de Cruzeiro Seixas, para assinalar o primeiro ano após a morte de Cesariny.

Quanto a 2008, a Tinta da China deve editar, ainda este mês, as últimas entrevistas concedidas pelo escritor, compiladas por João Pedro George, que prepara ainda a tese de doutoramento sobre o escritor, editor, tradutor e crítico literário. E espírito livre.

Ontem à noite, Luiz Pacheco, nascido a 7 de Maio de 1925, em Lisboa, a contar 82 anos, chegou já sem vida ao Hospital do Montijo. O óbito do escritor foi registado às 22h17, adianta a Lusa. O resto anda por aí, em bibliotecas e nas bocas dos amigos e das entrevistas nas revistas e nos jornais, também disseminadas pela Internet

5 de janeiro de 2008

A conspiração

Quando o Banco de Portugal decidiu intervir no BCP, tirando da cartola a Caixa Geral de Depósitos, pensei que tal solução se devia ao facto de o BCP poder estar perto da bancarrota e que a solução seria um recurso de última hora destinado a evitar o colapso do Banco.

Com a noticia do Público fiquei a saber que tudo não passa de uma conspiração destinada a obter o controlo do maior banco privado pelo maior banco público.
A insuspeita Visão vais mais longe. Para a revista de esquerda, a operação não passa de uma conspiração da Maçonaria destinada a roubar à Opus-Dei o controlo do BCP.

Os 500 milhões, atribuídos pela CGD, com a assinatura de Armando Vara, referem-se apenas ao primeiro semestre de 2007. Falta saber quantos milhões foram emprestados o segundo.
O Banco de Portugal apenas interveio depois de os accionistas conseguírem alcançar as posições que lhes interessavam, e provavelmente fê-lo a seu pedido.

Nota: Entre a lista de accionistas beneficiados com o empréstimo da CGD está Goes Ferreira, o tal a quem o BCP perdoou um empréstimo de 15 milhões, destinado a comprar acções do BCP. Será que a CGD está preparada para lhe perdoar novamente? Talvez sim, a troco do seu voto favorável à eleição das mesmas pessoas que aprovaram o empréstimo.