12 de março de 2005

A Prova dos Nove

Pedro de Almeida Vieira no seu Blog Estrago da Nação, coloca 6 medidas ambientais, muito pertinentes e necessárias ao nosso país e que estão pendentes de serem tomadas.
São medidas que exigem uma grande dose de coragem política e que se forem tomadas num curto espaço de tempo, nos permitem acalentar a esperança de que este governo efectivamente pratique aquilo que afirma e seja diferente de todos os outros.

As medidas propostas são:
a) a revisão da decisão de construção da barragem do Sabor;
b) a alteração do traçado da CRIL, de modo a preservar o Aqueduto das Francesas;
c) a suspensão do despacho conjunto para o abate de 2600 sobreiros na herdade da vargem Fresca, em Benavente;
d) a aprovação do POOC do Sotavento algarvio, com a confirmação da demolição dos clandestinos;
e) o avanço das acções de embargo e demolição das casas ilegais do Parque Natural da Arrábida e, neste âmbito, acatar a decisão judicial de demolir a casa do futuro secretário de Estado José Magalhães;
f) aprovação da Lei da Água.

Eu ainda proponho uma adicional.

g) a renovação da recusa da opção pela produção da energia nuclear feita há cerca de 25 anos atrás.

Neste momento e como em quase todo o mundo está suspensa a construção de novas centrais, as grandes companhias internacionais de engenharia fazem pressão nos corredores do poder de Portugal para que, a coberto do cumprimento das metas impostas pela união europeia, sobre as emissões gasosas, Portugal inicie a construção de centrais nucleares.

Como podem ver todas estas medidas mexem contra grandes interesses bem estabelecidos nas cadeiras do poder e podem ser uma excelente prova dos nove para o novo governo.

11 de março de 2005

A caminho dos "Entas"

O relógio não pára.
Dentro de exactamente um ano entrarei nos "entas", de onde, e muito provavelmente, já não sairei.

Condominio Privado de "Interesse Público" - III

O ainda não empossado Secretario de Estado dos Assuntos Florestais apressou-se a afirmar que "nada pode fazer para impedir o corte dos sobreiros do infantado, pois a decisão foi tomada pelo anterior governo" (Ouvido na SIC no jornal da noite)
Não sou Zandinga, mas anteontem afirmei que:
Enfim, este governo é apenas mais do mesmo. Já não há nada a esperar!

10 de março de 2005

Condomínio Privado de "Interesse Público" - II

Respeitante ao assunto da autorização de abate de sobreiros, transcrevo este texto de Pedro Almeida Vieira, publicado ontem no Estrago da Nação.
Farpas Verdes CLXXXIII
"Em Portugal, é no fim de mandato de um Governo que se revelam as mais torpes negociatas; que seriam impossíveis de ocorrer num país com políticos decentes e onde a Justiça (designadamente a Procuradoria Geral da República) está atenta aos casos de evidente corrupção.
Mais uma vez, a tradição portuguesa se cumpre. O Governo cessante, num despacho conjunto dos Ministérios da Agricultura, Turismo e Ambiente, assinado em 16 de Fevereiro deste ano, acaba de considerar um projecto turístico em Benavente como de imprescindível interesse público, forma de possibilitar o abate de 2605 sobreiros na Herdade da Vargem Fresca, junto ao Cruzamento do Infantado.
Este projecto da Portucale, do Grupo Espírito Santo, é um daqueles casos em que me envergonho de ser português. Já em 1995, a Portucale conseguira, também no fim do Governo de Cavaco Silva, permissão para abater sobreiros. Conseguiram abater uns quantos, mas o novo Governo de António Guterres viria a suspender o abate total. A Portucale não desistiu e quase conseguiu em 1998 obter uma declaração de imprescindível interesse público (houve um despacho que chegou a ter duas assinaturas de ministro, mas não avançou porque a então ministra do Ambiente, Elisa Ferreira se opôs). O projecto ficou, assim, em banho-maria até esta negociata final. Ou seja, 10 anos depois renasce um projecto vergonhoso, da mesma forma torpe. Sinceramente, custa-me a acreditar que não haja aqui «luvas» pelo meio... "
De acordo com o António Caldeira do Portugal Profundo, o governo baseou a sua decisão num "Parecer" do Dr. Freitas do Amaral. Isto é mesmo estranho, ainda há cerca de um mês, um parecer do mesmo jurista sbre o fundo de pensões da Caixa Geral de Depósitos, irritou de tal maneira o mesmo governo, que este o desvalorizou totalmente. Parece nesta semana, o Dr. Freitas benzido pelo "Espírito Santo" da Avenida da Liberdade fez com que dois altos-dirigentes do PP, e por uns minutos, achassem que o retrato dele continuava pendurado no Largo do Caldas.

Condomínio Privado de "Interesse público"

A uns dias de terminar as suas funções, o governo cessante viabilizou o abate de 2600 sobreiros – espécie protegida e fundamental na economia nacional – Os delegados da entidade patronal dos governos de Portugal, Mexia e Frasquilho terminam assim com chave de ouro as suas comissões de serviço.
O Abate destes sobreiros é fundamental à sua entidade patronal (Banco Espírito Santo) para viabilizar e embolsar extraordinárias mais-valias na construção de um condomínio fechado de luxo no Infantado (Benavente), projecto que se encontrava parado há mais de 10 anos e que agora foi considerado de “interesse público”.
Apesar de a Quercus ter exigido a suspensão desta decisão, não é de esperar que o novo governo recue nesta decisão, pois este, não quererá iniciar as suas funções, desagradando ao seu superior hierárquico (Banco Espírito Santo), que tem já o seu novo delegado (Manuel Pinho), nomeado para tomar posse no próximo Sábado e que assim poderá iniciar funções sem qualquer mácula.
A História deste projecto é, como não seria de esperar, uma história de contornos obscuros.
A Companhia das Lezírias foi fundada em 1836, reunindo terras da coroa e da Igreja. Dentro das terras da coroa incluía-se a casa do Infantado. Devido ao estado precário das finanças de Portugal, a Companhia das Lezírias foi vendida ao Conde de Farrobo. Em 1975 as Lezírias foram nacionalizadas, e dentro da sua lei orgânica, existe ainda uma cláusula que a impedia de alienar qualquer parcela de terreno. Como os terrenos são extraordinariamente apetecíveis, eis como o Banco Espírito Santo torneou o problema.
Constituiu uma empresa – Portucale – associada à Companhia da Lezírias (Na altura presidida por Hermínio Martinho) que entrou com o terreno de 500 hectares. Passado pouco tempo, a Companhia retira-se do negócio, recebendo em dinheiro o valor do terreno. Na altura o malabarismo custou o lugar a Martinho, mas o mal já estava feito.
Durante o consulado de Barroso, pensou-se em privatizar a Companhia das Lezírias (Hoje uma empresa saneada e altamente lucrativa), a coberto das costas largas do Défice. No entanto a sua ida para Bruxelas, e o curto consulado de Santana adiou a decisão.

Serão as Lezírias privatizadas? Eu não sei, mas talvez o “Espírito Santo” saiba!

9 de março de 2005

Dia Mundial da Mulher

Como homem, não sei bem o que dizer às mulheres neste dia. Por isso ...

BEIJINHOS A TODAS

7 de março de 2005

Freitas já não mora aqui

O CDS é cada vez mais um partido de direita, com vícios de esquerda. Não me admiraria nada que um dia publicassem uma foto assim

Momento da fundação do CDS - 1975

6 de março de 2005

Freitas: Para que te quero

O ex-procurador à Câmara Corporativa, Diogo Freitas do Amaral, é a grande surpresa do governo Sócrates. Este afirmou ao Expresso que “Não estamos em altura de virar as costas ou de encolher os ombros, mas no momento exacto de dar a cara". O Ex-presidente do CDS, disse ainda que “Aceitei o convite porque há momentos em que o pais precisa do contributo especial de alguns para o bem comum de todos”.
O representante em Portugal de um grupo económico, que quer comprar a GALP, está a jogar com a curta memória dos Portugueses. Hoje em dia já ninguém se lembra do comportamento ignóbil, que este cobarde teve na altura da morte de Sá Carneiro. Nesta altura, todo o país esperava que Freitas tomasse as rédeas do governo, pois era ele, e só ele, o único Português com capacidade de governar bem o País e prosseguir com o projecto de Sá Carneiro. Nessa altura, Freitas foi-se embora e desapareceu da cena política até ao ano de 1986, quando achou que o país precisava dele. Nessa altura o País, e muito bem, disse-lhe que não. Inclusive eu, que apesar de monárquico, lá tive que engolir um sapo e ir votar (A única vez na minha vida) numa eleição presidencial e ainda por cima no Mário Soares.

Caro Freitas, o país não está às tuas ordens, tu não tens o direito de achar quando é que o país precisa de ti, é o país que chama aqueles que necessita. Quando a pátria te chamou, tu viraste-lhe as costas. Não é agora, quando esperas receber uma comissão de vários milhões, que vamos precisar de ti.

Freitas não serve;
Freitas é um cobarde;
Freitas não presta;

Freitas: Estamos muito melhor sem a tua presença.

5 de março de 2005

Falta de Classe

Após vários anos de tentativas, a Volkswagen conseguiu que o governo Português aceitasse a sua proposta de os veículos monovolumes serem considerados classe 1, para efeitos de portagens. Esta medida visava o aumento das vendas (+ 500 a 100 veículos) do modelo fabricado em Palmela, e cuja produção acabará no próximo mês de Dezembro.
Como seria de esperar as concessionárias das Auto-Estradas protestaram e para não fugir à regra, o governo aceitou, sem reservas, as suas reivindicações.

Assim sendo, na passada quarta-feira, alguns lanços de auto-estrada, viram os seus preços aumentarem em 10% (Ex: Vila Franca – Carregado) para todas as classes.
Agora vem uma das anedotas da questão. (A outra foi o comunicado rectificativo ao comunicado da presidência do conselho de ministros)
Os monovolumes são já considerados veículos da classe 1?

NÃO

Para serem considerados veículos da classe 1, os seus proprietários terão de se dirigir à Direcção Geral de Viação (DGV), acompanhados dos seus veículos, para estes sofrerem um processo de medição (Que a DGV diz não saber como o fazer) para então serem, ou não, considerados Classe 1.
Uma coisa é certa, os Srs. automobilistas preparem-se para, perder um dia das vossas vidas, preencher um extenso requerimento, provavelmente acompanhado de fotocópias autenticadas do B.I., Cartão de Contribuinte, Livrete da Viatura e Título de registo de propriedade, como é tradicional acontecer nestes casos e pagar uma panóplia de taxas e impostos. Isto tudo sem qualquer garantia (excepto para os proprietários de VW Sharan e Ford Galaxy) de que o seu monovolume passe para a tão almejada Classe 1.

1 de março de 2005

Portimão, 1 de Março de 2005

27 de fevereiro de 2005

Janta em Coimbra

Ontem fui ao jantar organizado pelo Alex e pelo pastel de nata em Coimbra. Saí de manhã e aproveitei para ir almoçar uma lampreia a Tomar. O ciclóstomo estava bom tal como o preço (15 €) - Em Monção pediram-me 75 € por uma dose de Lampreia, num restaurante onde se enchia o bandulho por 7.5 €. Cheguei a Coimbra pelas 3 da tarde e aproveitei para passear pela cidade (Confesso que até ontem o café Santa Cruz era a única coisa que conhecia de Coimbra). No final do passeio quase choquei com o Zé do Telhado, o melga e o professor das Industrias culturais que acabavam de arribar às margens do Mondego.
Após a reunião no café Santa Cruz seguimos para o salão Brasil, uma boa sala, mas a precisar de renovação. Na minha mesa estava ladeado pelo colega Eng.º Melga e pelo sempre divertido Zé do Telhado, tendo à minha frente duas belas e simpácticas bloguistas da Figueira da Foz (A Gilda do Amanhã e a Elsa dos Delirios) no canto oposto o Santos da Casa - não o FG, mas o homem da RUC, o Nuno do Pastel de Nata, o perplexo dos Universos Assimétricos e o Professor Santos das Industrias culturais.
Pela sala deambulava o bicho carpinteiro Alex e na mesa ao lado, a Pandora abria a sua caixa, mas desta caixa não saiu nenhum mal.
A sala estava gelada e único catalítico presente não chegava para aquecer as moscas, por isso a sopa foi bem vinda, pois para além de estar boa, serviu para aquecer os comensais, o lombo estava bem servido mas sentiu-se a falta da sobremesa.
Após o jantar e depois de uma ingrme subida bebeu-se um copo num micro-bar chamado Shmoo, onde de inicio os comensais tiveram alguma dificuldade em se encaixar. A necessidade de fazer 200 Km obrigou-me a ficar apenas por uma cerveja.
Parece que no próximo dia 2 de Abril, a Pandora vai organizar uma janta comemorativa do primeiro aniversário do seu blog, lé estarei.

23 de fevereiro de 2005

Marretada neles

Hoje é o segundo aniversário do Blogue dos Marretas, o mais hilariante da Blogoesfera.
Caso fossem das esquerdas, estes rapazes da terra, onde o nosso novo primeiro geriu algumas obras públicas, já tinham programa de televisão, rádio e colunas nos jornais, para já não falar em anúncios de bancos (como certos bobos da corte). Mas são das Direitas, por isso continuam confinados a este Universo.
Bem hajam rapazes!

Para quem não tem tempo ...

... de ir ao cinema, veja aqui versões condensadas dos grandes clássicos da sétima arte

22 de fevereiro de 2005

Malabarismos

No site da Direcção-Geral da Administração de Justiça apareceu hoje este comunicado. (clique para visualizar a imagem)
Parece que um assessor estava a fazer um malabarismo para não ser despedido em meados de Março.
Azar! - Parece que apenas havia um elemento que elaborava a página web, era o Assessor.
Azar! - Parece que foi imediatamente despedido.
Azar! - Parece que Victor Hugo Cardinali e Miguel Chen não têm vagas para malabaristas nos seus circos.

21 de fevereiro de 2005

Há um ano atrás - Traumas de Infância - O fungagá da Bicharada

A minha lembrança do anterior regime é muito difusa em todos os aspectos, pelo que não posso estabelecer uma comparação entre o antes e o depois. No que toca à programação televisiva infantil, a revolução deixou graves sequelas.
Antes da revolução havia duas coisas que eu adorava. Os meninos rabinos (Na hora de ir para a cama) e os desenhos animados do Speedy Gonzalez que davam à Segunda-Feira à noite. Tenho uma recordação difusa de uns bonecos ingleses que passavam pelas 19h00 todos os dias em que a principal figura era um mocho, e que provocou grandes traumas em amigos meus mais velhos, felizmente não me lembro.
Após o 25 de Abril, tudo mudou e a criançada de Portugal levou em cima com “O Fungágá da Bicharada” que tinha dois apresentadores - José Barata-Moura, um tipo gordissimo, mal vestido e que ninguém conseguia ver a cara devido aos enormes cabelos, barbas e bigode encarapinhados, os quais nunca deviam ter visto lâmina desde a sua puberdade. O segundo apresentador era o oposto, um gajo fininho, bem vestido e barbeado que dava pelo nome de Júlio Isidro, o qual tinha acabado de dar a cambalhota da vida dele, pois uns meses atrás apresentava com Fialho de Gouveia e um terceiro apresentador que evito nomear, mas que vocês sabem de quem estou a falar, um programa de apoio às nossas tropas no ultramar.
Na minha ingénua mente de criança, estava perfeitamente convencido que o nome Barata advinha do facto destes insectos habitarem nas suas longas barbas, pelo que todos os Sábados ficava especado em frente à televisão à espera que estes insectos aparecessem à sua superfície.
Hoje, passados 29 anos, umas coisas tiveram desenvolvimentos positivos (José Barata Moura é hoje em dia o Reitor da Universidade de Lisboa, veste bem e continua a usar barbas, só que devidamente aparadas) e negativos, o Fungágá da Bicharada ao lado do Avô Cantigas é sem dúvida um clássico.

Lição 14 - Documentos Secretos (Geheime Dokumente)

Protesto ou descrença?

Ontem, após o discurso da vitória reparei nas poucas centenas de pessoas que agitavam bandeiras em frente ao Altis e pouco mais tarde em frente ao largo do rato. A TV não mostrou, mas não devem ter chegado a cortar o trânsito.
Longe estão as multidões de centenas de milhares de pessoas que aclamaram as duas maiorias absolutas de Cavaco Silva. Este facto tem duas interpretações. A primeira reside no facto de uma grande parte do voto PS ser apenas um voto de protesto contra o desgoverno de Santana Lopes, e não um voto crente numa genuina mudança, trazida pelo PS de Sócrates. A segunda e quanto a mim, a mais importante é que o reduzido número de celebrantes traduz a profunda descrença que o povo português tem nos seus lideres politicos que leva até mesmo a grande maioria dos genuínos militantes do PS a ficar em casa no dia da sua maior vitória.

Preparar a mudança?

No meu blogue Cartas Portuguesas, recebi uma visita através do google de alguem que procurava "Exemplos de cartas de demissão".
Não sei de onde veio, mas pela data deduzo que seja de alguém a quem os resultados de ontem não tenham sido do seu inteiro agrado.
Esper que este exemplo tenha servido para a sua inspiração.

Passar à acção

Necessitar de estrear um conjunto destes nas costas de um idiota analfabeto, que não sabe ler os resultados eleitorais

é um bom motivo para me filiar no PSD

19 de fevereiro de 2005

Dia de reflexão

"... dar um voto de protesto contra a situação instalada. Para nós o canto de maiorias absolutas, isto é submissas, será sempre um recreio pouco excitante. Um voto de protesto a nossa eterna fruição... "